Armindo Joaquim Pacula, de 25 anos, é acusado de ter sido o atirador no assassinato do apresentador sul-africano Warrick “DJ Warras” Stock. O processo ainda está em curso e o suspeito não foi condenado.
O assassinato do apresentador de rádio e televisão sul-africano Warrick Stock, conhecido como DJ Warras, continua a revelar novos elementos sobre uma disputa envolvendo segurança, ocupação ilegal de edifícios e cobrança de rendas no centro de Joanesburgo.
Entre os principais acusados está o moçambicano Armindo Joaquim Pacula, de 25 anos, apontado pelas autoridades sul-africanas como o homem que teria efectuado os disparos contra Stock, morto a 16 de Dezembro de 2025, junto ao edifício Zambezi House, no centro de Joanesburgo.
Apesar de informações que circulam nas redes sociais sobre uma alegada condenação a 25 anos de prisão, não há confirmação dessa sentença nas fontes judiciais e jornalísticas mais recentes. Pelo contrário, Pacula continua a responder ao processo juntamente com Victor Mthethwa Majola.
Pacula continua acusado, não condenado
A Autoridade Nacional de Acusação da África do Sul (NPA) confirmou em Fevereiro que Pacula foi acrescentado ao processo como segundo acusado. Ele enfrenta acusações de homicídio, conspiração para cometer homicídio e violação da Lei de Imigração.
O caso chegou a avançar para o Tribunal Superior de Gauteng, em Joanesburgo, mas continua sem julgamento concluído.
Na audiência de 27 de Julho, o processo foi novamente adiado para 19 de Agosto de 2026, devido, entre outros factores, a questões relacionadas com a representação legal de Victor Majola. Os dois acusados permanecem detidos.
Quanto dinheiro teria sido pago pelo crime?
Um dos elementos mais perturbadores da investigação é o alegado pagamento pela execução do homicídio.
Segundo informações divulgadas pela Eyewitness News, o valor total associado ao alegado assassinato teria sido de 25 mil rands. Contudo, Pacula teria recebido apenas 7 mil rands, enquanto o restante dinheiro teria sido dividido entre outros envolvidos.
Portanto, é incorrecto afirmar, sem qualificação, que Pacula recebeu 25 mil rands para matar Stock.
A disputa no edifício Zambezi
A investigação relaciona o assassinato com uma disputa envolvendo a gestão e segurança de edifícios no centro de Joanesburgo.
Stock estava ligado a uma empresa de segurança contratada para trabalhar no Zambezi House, onde deveria ser instalado um sistema de controlo de acesso biométrico.
A intervenção ocorria num contexto de alegações sobre ocupação ilegal do edifício e cobrança irregular de rendas. Segundo informações apresentadas no processo, Stock teria recebido ameaças antes de morrer e conseguido uma ordem de protecção contra cinco pessoas.
Esses elementos levaram os investigadores a considerar a possibilidade de o homicídio ter sido um ataque planeado, e não um crime ocasional.
Victor Majola é apontado como alegado mandante
O outro principal acusado é Victor Mthethwa Majola, empresário ligado ao sector dos táxis em Soweto.
A acusação sustenta que Majola teria desempenhado um papel central na organização do homicídio, enquanto Pacula é apontado como o alegado executor.
Durante uma audiência de fiança, um investigador afirmou que Majola teria indicado a presença de Stock momentos antes dos disparos. O testemunho foi apresentado como parte das provas contra o acusado, mas deverá ser avaliado no decorrer do processo.
Majola e Pacula enfrentam acusações de homicídio premeditado e conspiração para cometer homicídio.
O que aconteceu com Pacula?
Pacula foi detido no final de Janeiro de 2026, numa operação de inteligência criminal no assentamento informal Marathon, em Primrose, na região de Ekurhuleni.
Na sua primeira comparência judicial, as autoridades levantaram dúvidas sobre o seu estatuto migratório e sobre a existência de documentação válida para permanecer na África do Sul.
Posteriormente, Pacula abandonou o pedido de liberdade sob fiança. O seu advogado também indicou que o acusado manifestava intenção de assumir responsabilidade pelos crimes, mas isso não equivale a uma condenação judicial nem significa que já exista uma sentença de 25 anos.
Processo entra numa fase decisiva
A audiência mais recente indica que a investigação estatal está praticamente concluída, mas ainda existem questões processuais e relacionadas com a defesa.
O processo deverá regressar ao Tribunal Superior de Gauteng em 19 de Agosto de 2026.
Até lá, permanecem questões importantes sem resposta: quem financiou efectivamente o alegado homicídio, qual foi o papel exacto de cada interveniente e se existem outros suspeitos ainda não acusados.
O que o caso revela sobre Joanesburgo
Mais do que a morte de uma figura conhecida dos meios de comunicação, o caso expõe um problema mais amplo no centro de Joanesburgo: a disputa pelo controlo de edifícios ocupados ilegalmente, os conflitos relacionados com cobrança de rendas e a utilização de empresas de segurança em operações de recuperação e controlo de imóveis.
A presença de um cidadão moçambicano entre os acusados acrescenta uma dimensão transfronteiriça ao processo. No entanto, é importante não transformar a nacionalidade de Pacula numa generalização sobre a comunidade moçambicana na África do Sul. O processo judicial envolve indivíduos específicos, e não a comunidade moçambicana como um todo.