Uma empresa portuguesa ligada anteriormente ao empresário Miguel Frasquilho, antigo presidente da TAP e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), foi identificada pelo FBI no âmbito de uma investigação a uma alegada rede internacional de aquisição de helicópteros e componentes destinados ao Irão.
A informação é avançada pelo jornal português Público, que revela que a sociedade Business United Unipessoal Lda. surge nos elementos relacionados com a investigação norte-americana.
Segundo a investigação, a empresa terá desempenhado um papel de intermediária numa operação envolvendo a venda de um motor de helicóptero avaliado em cerca de 209 mil dólares, aproximadamente 181 mil euros.
A Business United Unipessoal Lda. tem como único sócio o empresário António Filipe Fortio Mira. A sociedade esteve, contudo, ligada profissionalmente a Miguel Frasquilho, que chegou a ser identificado como partner da consultora.
De acordo com o Público, em janeiro de 2023, a própria Business United apresentava Frasquilho como um dos seus principais conselheiros estratégicos.
Frasquilho nega envolvimento nas operações
Contactado pelo Público, Miguel Frasquilho negou qualquer participação societária na empresa e rejeitou ter tido envolvimento nas operações relacionadas com helicópteros ou respectivos componentes.
O antigo presidente da TAP afirmou que nunca foi sócio da Business United e que não teve “rigorosamente nada que ver” com as operações de compra ou venda de helicópteros ou componentes.
A referência ao nome de Frasquilho surge, portanto, no contexto da relação profissional anteriormente divulgada pela própria empresa, e não como prova, por si só, de participação nas alegadas operações investigadas pelo FBI.
O que está em causa
A investigação norte-americana procura esclarecer uma alegada rede internacional utilizada para obter aeronaves, peças ou componentes que poderiam ser destinados ao Irão.
O caso assume particular relevância porque o Irão está sujeito a um conjunto de sanções e restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos, incluindo medidas relacionadas com equipamentos e tecnologia de origem norte-americana.
A identificação de uma empresa portuguesa nos elementos da investigação não significa, por si só, que tenha sido demonstrado judicialmente que a sociedade ou os seus responsáveis tenham cometido um crime.
As circunstâncias exactas da operação, o destino final do motor e o eventual papel de cada interveniente deverão ser avaliados à luz dos documentos da investigação e das conclusões das autoridades competentes.
Nota editorial: Até ao momento, as informações apresentadas devem ser tratadas como elementos de uma investigação e alegações, não como prova definitiva de envolvimento criminal.