Quase três décadas depois do assassinato de Tupac Shakur, o caso que durante anos permaneceu sem um acusado formal chega finalmente à fase de julgamento. O processo contra Duane “Keffe D” Davis começa esta segunda-feira, 10 de agosto, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Davis, antigo líder do grupo South Side Compton Crips, é acusado pelas autoridades de ter organizado o ataque que matou o rapper norte-americano em setembro de 1996. Ele enfrenta uma acusação de homicídio e, caso seja condenado, poderá receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O que aconteceu na noite da morte de Tupac
Tupac Shakur estava em Las Vegas para assistir a um combate de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, realizado no MGM Grand, em 7 de setembro de 1996.
Depois do combate, Tupac seguia num BMW conduzido por Marion “Suge” Knight quando um Cadillac branco se aproximou e disparou várias vezes contra o veículo.
O rapper foi atingido por tiros e morreu seis dias depois, aos 25 anos.
Durante décadas, o homicídio permaneceu sem uma acusação criminal. A investigação ganhou novo impulso depois de Davis ter feito declarações públicas sobre o caso, incluindo relatos apresentados no livro de memórias Compton Street Legend, publicado em 2019.
Acusação diz que Davis organizou o ataque
Os procuradores sustentam que Davis participou na organização da vingança contra Tupac após um confronto ocorrido naquela noite entre membros do grupo ligado ao rapper e Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis.
Segundo a acusação, Davis estava no Cadillac de onde partiram os disparos e teria fornecido a arma utilizada no ataque.
O caso, porém, não deverá necessariamente esclarecer durante o julgamento quem foi exactamente a pessoa que efectuou os disparos fatais. A acusação procura sobretudo demonstrar que Davis participou na organização do homicídio.
Livro e entrevista policial podem ser usados no julgamento
Uma das principais peças da acusação é o próprio histórico de declarações de Davis.
Em junho, a juíza Carli Kierny decidiu que o livro escrito por Davis poderia ser apresentado aos jurados. Em julho, a magistrada também autorizou a utilização de uma entrevista policial de 2008 durante o julgamento.
Na entrevista e noutras declarações anteriores, Davis descreveu a sua presença no Cadillac envolvido no ataque. A defesa tentou impedir que esses materiais fossem utilizados, mas não conseguiu afastá-los do processo.
Davis nega ter cometido o crime
Apesar das declarações anteriores, Davis declarou-se inocente e contesta a versão apresentada pelos procuradores.
A defesa sustenta que ele não foi o autor do assassinato e tem procurado questionar a interpretação das declarações feitas pelo acusado ao longo dos anos.
A admissibilidade do livro e da entrevista policial poderá tornar-se um dos pontos centrais do julgamento, uma vez que os procuradores pretendem utilizar as próprias declarações de Davis para sustentar a acusação.
Um julgamento acompanhado mundialmente
O processo volta a colocar no centro das atenções uma das mortes mais famosas da história do hip-hop.
Tupac Shakur tornou-se uma das figuras mais influentes do rap norte-americano e foi um dos principais rostos da chamada rivalidade entre a cena musical da Costa Oeste e a Costa Leste dos Estados Unidos.
A sua morte, seguida seis meses depois pelo assassinato de Christopher “The Notorious B.I.G.” Wallace, alimentou durante décadas teorias, suspeitas e especulações sobre a guerra entre diferentes grupos ligados à indústria do hip-hop.
Agora, quase 30 anos depois, um tribunal de Las Vegas terá de decidir se as provas apresentadas pela acusação são suficientes para condenar Davis.
A selecção dos jurados começa esta segunda-feira, 10 de agosto, dando início a um processo que deverá prolongar-se por várias semanas.