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ANAMOLA reforça apelo por investigação após morte de membro em Inhambane

A morte de Ilídio Facitela Gustavo, mobilizador político da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) no distrito de Mo...

Por Redação Em Primeiro setembro 17, 2026
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 ANAMOLA reforça apelo por investigação após morte de membro em Inhambane
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Mondlane

A morte de Ilídio Facitela Gustavo, mobilizador político da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) no distrito de Morrumbene, província de Inhambane, voltou a colocar no centro do debate a segurança dos membros da oposição e a necessidade de esclarecimento dos casos de violência política no país.


Gustavo foi dado como raptado na sexta-feira, 11 de Setembro, e posteriormente encontrado sem vida no distrito de Homoíne. O caso foi denunciado pelo presidente da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, que afirmou que a vítima fazia parte das testemunhas indicadas para o processo judicial que decorre no Tribunal Supremo.


Após a morte, a direcção da ANAMOLA exigiu às autoridades uma investigação célere, rigorosa, profunda e independente. O partido defendeu que os responsáveis pelo crime devem ser identificados e responsabilizados nos termos da lei.


A circunstância de a vítima ser apontada como testemunha no processo de Venâncio Mondlane acrescentou uma dimensão política ao caso. No entanto, até ao momento, não foram apresentadas publicamente provas que estabeleçam uma ligação entre o homicídio e o processo judicial. Essa distinção é importante para evitar que uma suspeita seja apresentada como conclusão.


A morte de Gustavo ocorre num contexto mais amplo de denúncias de violência contra membros e apoiantes de forças da oposição. A ANAMOLA afirma que dezenas dos seus membros morreram desde a criação da formação política, em 2025, e tem solicitado esclarecimentos às autoridades. Dados divulgados pelo próprio partido apontam para 57 membros mortos, embora essa contagem seja uma alegação da organização e deva ser tratada como tal até que cada caso seja independentemente confirmado.


O caso também provocou reacções de outras forças políticas. A RENAMO, por exemplo, condenou o rapto e assassinato de Gustavo e apelou à realização de uma investigação transparente para determinar as circunstâncias da morte e responsabilizar os autores.


A discussão sobre violência política em Moçambique ganhou ainda maior dimensão após os assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe, em Outubro de 2024, e de outros membros ou apoiantes da oposição. Entretanto, diferentes investigações e denúncias permanecem em fases distintas, pelo que não é possível atribuir todos esses episódios a uma mesma origem sem provas específicas.


O sociólogo Luca Bussotti, num artigo de análise publicado recentemente, enquadra o caso de Ilídio Gustavo numa sequência histórica mais longa de assassinatos de figuras políticas, jornalistas e activistas em Moçambique. Entre os casos recordados estão os assassinatos do jornalista Carlos Cardoso, em 2000, e do constitucionalista Gilles Cistac, em 2015.


Bussotti sustenta que os acontecimentos levantam questões sobre o funcionamento do Estado de Direito e sobre a resposta dos parceiros internacionais de Moçambique. Essas afirmações, porém, pertencem ao campo da análise e devem ser atribuídas ao autor, não apresentadas como factos definitivamente estabelecidos.


Para o caso de Inhambane, a questão central permanece: quem raptou e matou Ilídio Facitela Gustavo e quais foram as circunstâncias que levaram ao crime?


A resposta dependerá de uma investigação oficial capaz de esclarecer os factos, identificar os responsáveis e determinar a eventual existência — ou não — de uma motivação política.


Até que esses elementos sejam conhecidos, acusações sobre os mandantes ou sobre uma eventual ligação directa entre o assassinato e o processo de Venâncio Mondlane devem ser tratadas como alegações, e não como conclusões.

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