Maputo, 4 de Setembro de 2026 — A nomeação de Benedita Maria Guimino para o cargo de Vice-Governadora do Banco de Moçambique representa um momento histórico para a instituição, ao tornar-se a primeira mulher a integrar a liderança de topo do Banco Central, mais de 50 anos depois da sua criação.
Guimino iniciou a sua carreira no Banco de Moçambique em 1999 e acumulou mais de duas décadas de experiência em diferentes áreas da instituição. Ao longo do seu percurso profissional, trabalhou em sectores ligados à emissão e circulação monetária, sistemas de pagamento e estabilidade financeira, tendo posteriormente alcançado a posição de Administradora e membro do Conselho de Administração.
A nova Vice-Governadora tomou posse esta sexta-feira, 4 de Setembro, em Maputo, numa cerimónia dirigida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.
Durante a cerimónia, Chapo classificou a nomeação como um acontecimento de importância histórica e destacou a experiência profissional acumulada por Guimino ao longo dos anos no Banco de Moçambique.
O Presidente da República desafiou a nova dirigente a colocar a sua experiência ao serviço de uma liderança coesa e focada nos interesses da economia e da população moçambicana.
“Com esta tomada de posse, fica constituída a nova liderança do Banco de Moçambique, à qual confiamos a responsabilidade de preservar a estabilidade monetária e financeira, fortalecer a credibilidade do nosso sistema financeiro e contribuir para a transformação da economia moçambicana”, afirmou Chapo.
Estabilidade económica entre os principais desafios
Na sua intervenção, o Chefe do Estado enumerou vários desafios que deverão orientar o trabalho da nova liderança do Banco de Moçambique.
Entre as prioridades está a manutenção da estabilidade macroeconómica e cambial, bem como a defesa da credibilidade do Metical.
Chapo apontou igualmente a necessidade de promover uma maior inclusão financeira e criar condições que permitam aumentar o financiamento à economia nacional.
Outro aspecto destacado pelo Presidente foi o reforço da supervisão do sistema financeiro, particularmente no que diz respeito à prevenção e ao combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa.
Segundo Chapo, é necessário aumentar a capacidade das instituições para prevenir e detectar operações consideradas suspeitas.
Integridade do sistema financeiro
O Presidente da República salientou que a integridade do sistema financeiro é essencial para garantir a sua solidez.
Nesse sentido, defendeu que as instituições financeiras devem actuar com transparência e impedir que os seus canais sejam utilizados para movimentar ou dar aparência de legitimidade a recursos provenientes de actividades ilícitas.
Para além da estabilidade e supervisão financeira, Chapo apontou como prioridade o aprofundamento do sistema financeiro nacional.
Este processo deverá passar pela mobilização da poupança interna, pela diversificação dos instrumentos disponíveis para financiamento e pela canalização de recursos para áreas consideradas estratégicas, como o investimento produtivo, a industrialização e a criação de emprego.
Juventude e mulheres devem ter mais oportunidades
Durante o seu discurso, Daniel Chapo deu particular atenção à necessidade de aumentar as oportunidades destinadas à juventude e às mulheres, considerando que estes grupos representam uma parcela significativa da população moçambicana.
O Presidente defendeu que o sistema financeiro deve contribuir para criar melhores condições para que esses segmentos tenham acesso às oportunidades económicas.
Chapo apelou ainda à nova liderança do Banco de Moçambique para adoptar uma abordagem integrada no exercício das suas funções, valorizando os profissionais da instituição e mantendo uma postura de abertura ao diálogo.
O diálogo deverá envolver o Governo, sector privado, academia e cidadãos, permitindo que as decisões tomadas pelo Banco estejam alinhadas com a realidade económica do país.
Nomeação envia mensagem às jovens moçambicanas
Para Daniel Chapo, a ascensão de Benedita Guimino ao cargo de Vice-Governadora ultrapassa a dimensão institucional.
O Presidente considerou que a nomeação representa também uma mensagem para as meninas e jovens moçambicanas, ao demonstrar que factores como educação, preparação, trabalho, disciplina, competência, integridade e mérito podem abrir caminho para o desempenho de funções de elevada responsabilidade no Estado.
No final da cerimónia, Chapo desejou êxitos à nova Vice-Governadora do Banco de Moçambique e apelou para que desempenhe as suas funções com responsabilidade, coragem, humildade e elevado sentido de Estado.
Segundo o Chefe do Estado, Guimino deverá contribuir para preservar a credibilidade do Banco de Moçambique e, simultaneamente, apoiar o desenvolvimento da economia nacional.