O Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM) fixou-se em 36,09 pontos, numa escala de 100, no primeiro semestre de 2026, colocando o ambiente empresarial nacional no nível “CCC – Muito Fraco”, segundo dados apresentados esta sexta-feira, 18 de Setembro, pela Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC).
Os resultados foram divulgados em Maputo pela economista da FUNDEC, Ivânia Matisse, durante a 2.ª edição do FUNDEC Economic Outlook, encontro que reuniu diferentes intervenientes para discutir emprego, produtividade, competitividade e perspectivas para o desenvolvimento do sector empresarial em Moçambique.
De acordo com o relatório, o desempenho da economia empresarial no período foi marcado por diferenças significativas entre os sectores. Enquanto algumas actividades registaram aumentos expressivos de produtividade, outras apresentaram recuos.
«“O ICEM revela uma economia empresarial com evolução desigual”, refere o documento apresentado durante o encontro.»
Agricultura e extractivas registam ganhos de produtividade
Entre os sectores analisados, a agricultura apresentou o maior crescimento da produtividade por empresa, com uma subida de 80,11% no primeiro semestre de 2026.
As indústrias extractivas registaram igualmente uma evolução expressiva, com crescimento de 49,9%, enquanto as actividades financeiras apresentaram uma melhoria de 10,88%.
O cenário foi diferente nas restantes actividades. A produtividade por empresa caiu 26,54% nas indústrias transformadoras, 23,15% no comércio e serviços, 9,52% nos transportes e logística e 6,32% na construção e obras públicas.
Os dados mostram, assim, que o crescimento da actividade económica não ocorreu de forma uniforme entre os principais sectores empresariais.
Produtividade por trabalhador também apresenta diferenças
Na produtividade por trabalhador, a agricultura voltou a destacar-se, com um crescimento de 94,41%, seguida pelas indústrias extractivas, que registaram uma subida de 54,19%.
Em sentido contrário, a produtividade por trabalhador recuou 22,85% na indústria transformadora e 24,60% no comércio e serviços.
Para a FUNDEC, estes resultados evidenciam diferenças na capacidade dos sectores para transformar recursos, investimento e força de trabalho em maior produção.
Mais investimento não significa automaticamente maior produtividade
Um dos sinais destacados no relatório é a dificuldade de transformar o aumento do investimento empresarial em ganhos efectivos de produtividade.
Segundo os dados apresentados, seis dos sete sectores analisados registaram crescimento do investimento em activos de capital (CAPEX). No entanto, o aumento do investimento não foi acompanhado, em todos os sectores, por uma melhoria correspondente da produtividade.
A situação coloca em evidência um dos desafios centrais para o sector empresarial moçambicano: não basta aumentar o investimento; é necessário garantir que os recursos aplicados resultem em maior eficiência, produção e capacidade competitiva.
Os resultados do ICEM indicam, por isso, que a melhoria do ambiente empresarial dependerá não apenas do volume de capital mobilizado pelas empresas, mas também da capacidade de transformar esse capital em ganhos de produtividade.
A classificação de 36,09 pontos atribuída ao ambiente empresarial no primeiro semestre coloca a competitividade das empresas moçambicanas num patamar considerado “Muito Fraco” pela metodologia do ICEM.
O desempenho sectorial observado pela FUNDEC sugere ainda que as medidas destinadas a melhorar a competitividade terão de considerar as diferenças existentes entre as actividades económicas, uma vez que os obstáculos e a capacidade de resposta não são iguais em todos os sectores.
O ICEM surge, neste contexto, como um indicador para acompanhar a evolução das condições e do desempenho do sector empresarial moçambicano, permitindo identificar áreas onde existem ganhos de produtividade e outras onde persistem perdas.