O Presidente da República, Daniel Chapo, estabeleceu novos desafios para a vice-governadora do Banco de Moçambique, Benedita Guimino, com destaque para o reforço da integridade do sistema financeiro nacional e para a criação de mecanismos capazes de aumentar o financiamento da economia real.
Chapo falava esta sexta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de tomada de posse de Benedita Guimino, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-governadora do Banco de Moçambique.
Durante a intervenção, o Chefe do Estado defendeu uma atuação mais rigorosa na prevenção e no combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.
Para Daniel Chapo, é necessário fortalecer a supervisão do sistema financeiro e aperfeiçoar os mecanismos destinados a prevenir e identificar operações suspeitas. O Presidente destacou igualmente a importância de consolidar uma cultura de cumprimento das normas por parte das instituições financeiras.
“Este é um domínio em que não podemos baixar a guarda”, afirmou Chapo.
Segundo o Presidente, a solidez do sistema financeiro não deve ser avaliada apenas pela sua estabilidade, mas também pela sua integridade e transparência. O sistema deve possuir mecanismos capazes de impedir que os seus canais sejam utilizados para esconder, movimentar ou dar aparência legítima a recursos provenientes de atividades ilícitas.
Chapo considerou ainda que combater o branqueamento de capitais significa proteger a economia moçambicana, as instituições do Estado, a imagem do país e os cidadãos que trabalham, investem, produzem e geram riqueza de forma legal.
Mais recursos para a economia real
Entre os desafios colocados a Benedita Guimino está também a necessidade de aprofundar o sistema financeiro nacional, de modo que este não se concentre exclusivamente na manutenção da estabilidade financeira.
Na visão apresentada pelo Presidente da República, o sistema financeiro deve ser capaz de mobilizar a poupança existente no país e ampliar a diversidade de instrumentos disponíveis para financiar a atividade económica.
Chapo defendeu uma maior canalização de recursos para o investimento produtivo, a industrialização e a criação de empregos, dando especial atenção às necessidades dos jovens e das mulheres.
O Chefe do Estado voltou igualmente a destacar a importância da estabilidade macroeconómica e cambial, da preservação da credibilidade do metical, da inclusão financeira e da melhoria das condições de financiamento da economia.
Outro ponto considerado essencial é a coordenação entre as políticas monetária, fiscal e financeira. Chapo apontou ainda para a necessidade de reforçar a supervisão bancária, a disciplina e a prudência no sector financeiro.
O Presidente apelou à nova liderança do Banco de Moçambique para manter uma perspetiva diretamente ligada à economia real.
Segundo Chapo, por detrás dos indicadores macroeconómicos, das taxas de juro, das reservas internacionais e das decisões de política monetária estão pessoas e agentes económicos concretos, nomeadamente famílias, trabalhadores e empresas.
“Não estamos à procura de estrelas, mas de uma equipa estrela”, afirmou.
Com esta declaração, o Presidente defendeu uma liderança unida, tecnicamente exigente e orientada para uma missão institucional comum: servir o Estado, o povo moçambicano e a economia nacional.
Benedita Guimino faz história no Banco de Moçambique
A entrada de Benedita Guimino na vice-governação do Banco de Moçambique tem também um significado histórico, uma vez que ela é a primeira mulher a assumir o cargo desde a criação da instituição, em 1975.
Daniel Chapo considerou a nomeação um marco para o banco central e uma demonstração do reconhecimento da competência e do mérito das mulheres moçambicanas.
Benedita Guimino entrou para o Banco de Moçambique em 1999. Ao longo de mais de duas décadas de carreira na instituição, passou por diferentes áreas, incluindo emissão e circulação monetária, sistemas de pagamento e estabilidade financeira.
Posteriormente, desempenhou funções como administradora e integrou o Conselho de Administração do Banco de Moçambique.
Ao felicitá-la pela nomeação, Chapo desafiou a nova vice-governadora a desempenhar as suas funções com competência, humildade, coragem, integridade e sentido de Estado.
O Presidente apelou ainda para que Guimino se torne uma referência para outras mulheres e jovens moçambicanas.
Coordenação e diálogo são prioridades
Daniel Chapo orientou Benedita Guimino a trabalhar de forma articulada com o governador e com os restantes membros dos órgãos do Banco de Moçambique.
A intenção é garantir complementaridade, rigor técnico, responsabilidade e unidade na implementação das decisões da instituição.
O Chefe do Estado defendeu também uma liderança capaz de ouvir diferentes setores da sociedade, incluindo os quadros do banco central, o Governo, o sector financeiro, o sector privado, a academia e os cidadãos.
Para Chapo, essa abertura ao diálogo deve ser acompanhada por uma preocupação permanente com a realidade económica vivida no país.
No encerramento da sua intervenção, o Presidente da República resumiu as expectativas depositadas na nova liderança do Banco de Moçambique em quatro princípios: competência, responsabilidade, integridade e resultados.
Fonte: O País