1
EM PRIMEIRO
|

Moçambique entre os países mais vulneráveis à insegurança alimentar em África

Cerca de 3,5 milhões de moçambicanos encontram-se actualmente em situação de insegurança alimentar aguda, colocando Moçambique entre os pa...

Por Redação Em Primeiro setembro 15, 2026
Compartilhe:
Moçambique entre os países mais vulneráveis à insegurança alimentar em África
FOTO: REPRODUÇÃO / EM PRIMEIRO
OUVIR ESTA MATÉRIA
Voz Web Speech

Versão em Áudio com Voz Digital

0:00
--:--

Cerca de 3,5 milhões de moçambicanos encontram-se actualmente em situação de insegurança alimentar aguda, colocando Moçambique entre os países mais vulneráveis de África.

A situação ocorre num contexto marcado pela violência armada, pressão económica e crescentes riscos climáticos, segundo dados do relatório Monitor de Segurança Alimentar, elaborado pela Alliance for a Green Revolution in Africa (AGRA).

Conflito agrava situação no Norte

De acordo com o relatório, Moçambique continua a apresentar uma situação alimentar desigual, com condições de Crise, correspondente à Fase 3 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), a persistirem nas zonas afectadas pelo conflito armado em Cabo Delgado e no norte da província de Nampula.

O documento, divulgado ontem pela AGRA, organização africana sediada em Nairobi que trabalha na transformação dos sistemas alimentares e no desenvolvimento da agricultura no continente, apresenta dados actualizados até Agosto.

Segundo os dados citados pela Lusa, aproximadamente 18% da população analisada em Moçambique encontra-se em situação de insegurança alimentar aguda, colocando o país entre os mais vulneráveis da África austral.

Apesar de algumas comunidades ainda beneficiarem das reservas alimentares existentes nas famílias e da produção proveniente da segunda época agrícola, a AGRA alerta que a situação poderá piorar nos próximos meses.

Época de escassez pode agravar crise

A aproximação da época de escassez constitui uma das principais preocupações identificadas no relatório.

À medida que os stocks alimentares das famílias forem diminuindo, algumas regiões poderão passar para condições de Crise entre Outubro e Janeiro.

O agravamento deverá ser impulsionado principalmente pelos elevados preços dos produtos alimentares básicos e pela redução do poder de compra das famílias.

A situação é particularmente preocupante em Cabo Delgado e no norte de Nampula, onde a violência armada continua a dificultar o acesso das populações aos alimentos, aos mercados e aos meios de subsistência.

As comunidades deslocadas devido ao conflito encontram-se entre as mais vulneráveis aos efeitos desta situação.

Preço do milho continua acima dos níveis de 2025

No mercado alimentar, o milho, principal cereal consumido no país, registou uma redução mensal de 2% em Agosto.

A queda foi favorecida pela entrada de novas colheitas nos mercados e pela melhoria da disponibilidade do produto.

Apesar dessa redução mensal, o preço do milho permanece 10,7% acima do registado no mesmo período de 2025.

Já o arroz seguiu uma tendência diferente, tendo registado um aumento mensal de 3,6% em Agosto.

Segundo o relatório, esta subida reflecte pressões localizadas sobre a oferta e os custos associados às importações.

Combustíveis pressionam custos agrícolas

O relatório da AGRA chama igualmente atenção para o peso dos custos energéticos sobre a economia moçambicana.

O gasóleo continua a custar 85% mais do que em Março, uma das maiores subidas registadas na região.

O aumento tem impacto directo nos custos de transporte e produção agrícola, podendo contribuir para a pressão sobre os preços dos alimentos e reduzir ainda mais o poder de compra das famílias.

África austral apresenta cenários diferentes

Na região da África austral, a evolução da segurança alimentar não é uniforme.

A Zâmbia beneficia de colheitas consideradas robustas e apresenta uma situação alimentar relativamente estável.

Em contrapartida, Malawi, Moçambique e Zimbabué enfrentam perspectivas de agravamento da insegurança alimentar durante a próxima época de escassez.

No caso de Moçambique, previsões recentes também apontam para um aumento das necessidades alimentares durante o período de Outubro de 2026 a Março de 2027.

El Niño aumenta riscos para a agricultura

Outro factor de preocupação destacado no relatório é a evolução do fenómeno El Niño.

Segundo a AGRA, está a desenvolver-se no Oceano Pacífico um fenómeno El Niño de grande intensidade, que poderá tornar-se um dos mais fortes alguma vez registados.

A organização alerta que o fenómeno poderá aumentar significativamente os riscos climáticos em diferentes partes de África.

As previsões apontam para precipitação abaixo da média e temperaturas acima do normal em grande parte da África austral durante a campanha agrícola 2026/27.

Caso estas previsões se confirmem, a produção agrícola e os rendimentos das famílias rurais poderão ser afectados.

Outras organizações internacionais também têm alertado para os riscos do El Niño em Moçambique. A ONU, por exemplo, refere que o fenómeno poderá provocar condições de seca no sul e centro do país, enquanto o norte poderá enfrentar cheias, com possíveis impactos sobre a agricultura, pecuária, disponibilidade de água e meios de subsistência.

Nigéria lidera número de pessoas em crise alimentar

Ao nível continental, a insegurança alimentar permanece especialmente grave nos países afectados por conflitos.

A Nigéria apresenta o maior número de pessoas em situação de crise alimentar ou pior, com cerca de 36,3 milhões de pessoas afectadas.

Segue-se o Sudão do Sul, com aproximadamente 7,8 milhões de pessoas.

Dados recentes da AGRA confirmam que a Nigéria liderava, entre os países monitorizados, em número absoluto de pessoas classificadas na Fase 3 ou superior, seguida pelo Sudão do Sul e outros países, incluindo Moçambique.

Pressão mantém-se no Leste e Oeste de África

Na África Oriental, o Sudão do Sul continua a enfrentar uma das crises alimentares mais graves do mundo.

Ao mesmo tempo, Etiópia, Quénia e Uganda continuam sob pressão devido à combinação de choques climáticos, deslocamentos populacionais e aumento dos preços dos alimentos.

Na África Ocidental, os conflitos, a insegurança e as perturbações nos mercados continuam a afectar países como Mali, Níger, Burkina Faso e Nigéria.

Apesar das dificuldades, existem perspectivas de melhoria da disponibilidade alimentar em algumas destas zonas com a entrada das novas colheitas nos mercados.

Para Moçambique, entretanto, as previsões apontam para uma pressão adicional durante a próxima época de escassez, com o conflito no norte, a redução das reservas familiares, os preços dos alimentos e os riscos climáticos a actuarem em conjunto. A análise mais recente da IPC estima que cerca de 1,84 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda de Fase 3 ou superior entre Outubro de 2026 e Março de 2027 nos distritos abrangidos pela análise.

TRANSPARÊNCIA | Acesso à Informação
1
EM PRIMEIRO

O portal Em Primeiro é a sua fonte de jornalismo público, imparcial e independente. Cobertura completa dos acontecimentos do Brasil e do mundo.

Editorias & Seções

Parcerias Internacionais de Notícias
LUSA (Portugal) XINHUA (China) TASS (Internacional)
1
EM PRIMEIRO
Menu
POR ENG ESP
Início Últimas Notícias Foto Agência Especial Radioagência Nacional Tabelas Feed Rss Whatsapp Sobre
Editorias
Cultura Direitos Humanos Economia Educação Esportes Geral Internacional Justiça Meio Ambiente Política

Portal Em Primeiro

Agência de notícias pública e transparente

Clique no botão acima para liberar o acesso e ler o artigo completo.
Atenção: este post contém cenas fortes.