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Agente da Polícia ameaça matar esposa com arma de fogo diante dos filhos menores na Matola

Mulher denuncia alegada violência doméstica, ameaças de morte e falta de seguimento de queixas policiais. Adolescente de 13 anos terá retir...

Por Redação Em Primeiro • outubro 28, 2026
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Agente da Polícia ameaça matar esposa com arma de fogo diante dos filhos menores na Matola
FOTO: REPRODUÇÃO / EM PRIMEIRO
Sociedade outubro 28, 2026

Agente da Polícia ameaça matar esposa com arma de fogo diante dos filhos menores na Matola

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Mulher denuncia alegada violência doméstica, ameaças de morte e falta de seguimento de queixas policiais. Adolescente de 13 anos terá retirado a arma das mãos do pai para impedir que continuasse a ameaçar a mãe.

Uma mulher residente no município da Matola, província de Maputo, denuncia estar a viver sob ameaças de morte e episódios de violência doméstica alegadamente protagonizados pelo marido, um agente da Polícia de Fronteira. Segundo o seu relato, o homem chegou a ameaçá-la com uma arma de fogo na presença dos dois filhos menores, de 13 e 10 anos, e afirma que pretende expulsá-la de casa para viver com outra mulher.

O caso foi noticiado pelo 4Vês Repórter, numa reportagem assinada por Nádio Jaime Taimo, publicada a 28 de Outubro de 2026. A vítima afirma que, durante um dos episódios mais graves, o filho mais velho interveio e retirou a arma das mãos do pai, numa tentativa de impedir que as ameaças contra a mãe tivessem consequências trágicas.

A mulher denuncia igualmente alegada falta de resposta das autoridades policiais a uma das queixas que apresentou. Suspeita que a posição profissional e hierárquica do marido nas Forças de Defesa e Segurança possa ter influenciado o tratamento dado à denúncia.

Dezasseis anos de união e o dilema de abandonar a residência

O casal viveu junto durante 16 anos e tem dois filhos: um rapaz de 13 anos e uma menina de 10. Actualmente, a mulher enfrenta a possibilidade de abandonar a residência onde viveu durante anos, mas afirma não ter um local seguro para onde possa levar as crianças.

Em declarações ao 4Vês Repórter, contou que as ameaças não começaram recentemente. Durante muito tempo, suportou a situação na esperança de que o marido mudasse de comportamento. Segundo explicou, familiares e membros da igreja também a aconselharam a manter a relação e a aguardar por uma mudança de atitude.

A vítima afirma que o histórico de violência do marido já era conhecido e que, segundo o seu relato, uma relação anterior do homem também terminou com a saída da outra mulher da residência.

“Ele hoje diz que tenho de sair de casa. Eu não tenho onde ir neste momento. Eu não sou daqui, nasci noutra província e a minha mãe perdeu a vida há muito tempo. E, mesmo que tenha de sair, devo sair com os meus filhos, não posso deixá-los. Mas não tenho onde ir com eles. Eles não querem ficar, dizem que, se eu for embora desta casa, querem ir comigo”, relatou.

A situação é agravada pelo impacto emocional que os episódios de violência poderão estar a causar às crianças. O 4Vês Repórter afirma ter tido acesso a gravações áudio nas quais se ouvem gritos e choros dos menores durante momentos de tensão entre os pais.

Numa das gravações, a menina de 10 anos chora intensamente e manifesta medo perante o ambiente vivido em casa. Segundo a mãe, a criança necessita de cuidados especiais, o que torna ainda mais difícil abandonar a residência sem condições para garantir a sua segurança e assistência.

Filho de 13 anos retira arma das mãos do pai

No último fim-de-semana, a família terá vivido mais um episódio grave, marcado por ameaças de morte e pelo recurso a uma arma de fogo.

Segundo a vítima, antes de chegar a casa, o marido fez chamadas telefónicas nas quais a ameaçou de morte e afirmou que já não a queria na residência. O homem terá exigido que abandonasse a casa, alegando que pretendia viver com outra mulher.

Numa das declarações atribuídas ao agente, ouve-se a seguinte ameaça:

“Organiza-te e sai da minha casa, é o mínimo que estou a pedir. Não quero muito, só estou a pedir o mínimo, sai da minha casa, faz a tua vida. Também já disse, quero trazer a minha namorada para viver à vontade. Cuidado, um dia vão encontrar-te seca, estou a dizer-te bem. Se não saíres de bem, hás-de sair directamente na caixa de madeira”, terá dito.

De acordo com a reportagem, o homem é um agente da Polícia de Fronteira, com a patente de subinspector principal, afecto a uma unidade na cidade de Maputo, nas proximidades do Hotel 2001.

A mulher afirma que, devido à sua função nas Forças de Defesa e Segurança, o marido transporta consigo uma arma de fogo e também a leva para casa. Segundo o seu relato, já terá sido ameaçada com a mesma arma em ocasiões anteriores.

No episódio mais recente, o homem terá continuado a intimidar a esposa depois de chegar à residência, na presença dos dois filhos. Foi nessa ocasião que voltou a recorrer à arma de fogo para a ameaçar.

O filho de 13 anos, que, segundo a mãe, já tinha presenciado outros episódios de violência, decidiu intervir. De acordo com o relato do adolescente, acompanhou os movimentos do pai quando este retirou a arma de uma bolsa. Ao perceber que o homem a estava a manipular, avançou, conseguiu retirá-la das mãos do pai e fugiu com ela.

Depois de o homem abandonar a residência, o rapaz telefonou a um familiar para contar o que tinha acontecido. O 4Vês Repórter teve acesso à gravação da chamada, na qual o menor descreve os acontecimentos enquanto tenta acalmar a irmã, que continuava a chorar.

“É o papá. Ele voltou para casa para nos acompanhar. Depois, ligou para a mamã e começou a dizer-lhe que ela tem os dias contados, porque nem fica em casa. A mamã perguntou o que tinha feito, porque, sempre que sai, informa quando sai e a hora a que vai voltar. Ele começou a dizer que a mamã não presta para nada e depois desligaram”, contou o rapaz.

O adolescente acrescentou que, posteriormente, o pai telefonou a um familiar da mãe e voltou a ameaçá-la.

“Depois, o papá ligou para o irmão mais velho da mamã para lhe informar que a minha mãe não pára em casa e que tem os dias contados. Disse que havia de acabar com ela. Quando a mamã chegou, o papá começou a dizer-lhe que ia trazer a sua mulher e que a ia matar. O papá tirou a arma da bolsa. Eu, como não sou maluco, peguei nela e virei-a para trás. Ele começou a mexer naquela parte de trás da arma, naquele segundo em que está para disparar. Eu tirei-a da mão dele e até corri”, relatou.

O testemunho do menor revela a dimensão do medo que, segundo os relatos recolhidos pelo jornal, se vive naquela residência. Com apenas 13 anos, o rapaz terá sentido necessidade de intervir numa situação de elevado risco para tentar impedir que o conflito entre os pais terminasse numa tragédia.

“Eu te balear e tu morres de vez”

Uma outra gravação áudio a que o 4Vês Repórter teve acesso regista o choro intenso da menina de 10 anos, enquanto a mãe tenta perceber o que se passa e procura levá-la para o quarto.

Segundo a reportagem, o áudio terá sido gravado quando a mulher regressou a casa, depois de os filhos terem estado com o pai e ouvido as ameaças que este dirigia à mãe durante uma chamada telefónica.

Na gravação, a criança chora e manifesta medo, sobretudo quando o pai se aproxima da mãe. Durante o episódio, o homem terá continuado a ameaçar a esposa.

“O que se passa é que eu te baleio e tu morres de vez”, ouve-se na gravação, enquanto a menina volta a gritar e a chorar.

“Tu só faltas eu te limpar, ouviste bem? Tu tens os dias contados, não vais ficar com as crianças todos os dias aqui”, terá acrescentado o agente.

Os gritos da menina intensificam-se à medida que o pai se aproxima da mãe. Segundo a descrição dos acontecimentos, o homem encontrava-se armado, circunstância que terá aumentado o receio da criança de que algo grave acontecesse à progenitora.

Foi nesse contexto que o rapaz de 13 anos terá intervindo para retirar a arma das mãos do pai. A mãe, por sua vez, terá dito ao filho para deixar o pai fazer aquilo que pretendia, numa reacção que ilustra o desespero associado à situação relatada.

Posteriormente, os membros da família saíram para o quintal. O homem entrou na sua viatura, ligou o motor e ordenou aos filhos que se afastassem da mãe.

A vítima afirma que o marido pretendia atropelá-la e que terá tentado fazê-lo dentro da residência. Esta alegação carece de esclarecimento por parte das autoridades competentes.

Mulher denuncia alegado envenenamento e queixas sem seguimento

Para além do episódio mais recente, a vítima relatou outros casos de violência que afirma ter sofrido durante a relação, incluindo situações em que o marido alegadamente a ameaçou com uma arma de fogo.

A mulher contou igualmente um episódio em que suspeitou ter sido envenenada. Segundo explicou, depois de procurar assistência médica no Hospital da Machava, uma profissional de saúde informou-a de que teria sofrido uma intoxicação provocada por uma substância química.

A vítima afirma que confrontou o marido, mas este negou tê-la envenenado e atribuiu o episódio a uma intoxicação alimentar.

“No Hospital da Machava, a profissional que me atendeu informou-me de que fui envenenada por uma substância química. Em casa, o meu marido negou que fosse envenenamento e afirmou que tinha sido uma intoxicação alimentar. Mas que intoxicação alimentar é essa de que apenas eu fui vítima, quando mais ninguém em casa teve o mesmo problema?”, questionou.

Depois desse episódio, a mulher apresentou uma denúncia numa esquadra da Polícia, na Matola. Contudo, segundo o seu relato, o processo não teve seguimento.

A vítima afirma que regressou à esquadra para obter informações sobre o andamento da ocorrência e que alguns agentes lhe disseram que o comandante teria ordenado que o processo fosse rasgado, alegadamente por o denunciado ser seu colega e superior hierárquico.

Posteriormente, apresentou uma segunda denúncia, relacionada com novos episódios de violência. Desta vez, afirma que alguns agentes a aconselharam a aguardar enquanto procuravam reunir a ocorrência com outros processos, para que o caso pudesse seguir para as instâncias judiciais.

“Da primeira vez, depois de ir denunciar, vi que nada estava a acontecer e fui saber do andamento do processo. Alguns agentes informaram-me de que o comandante tinha dado ordem para rasgar o processo porque o meu marido era seu superior. Na segunda denúncia, aconselharam-me a esperar e disseram que fariam de tudo para juntar o processo a outros, para que o chefe assinasse sem se aperceber. E assim foi. Este processo passou para o Tribunal de Ndlavela”, contou.

De acordo com o 4Vês Repórter, as duas denúncias foram apresentadas no ano passado. A alegação de que uma delas terá sido deliberadamente interrompida devido à influência hierárquica do denunciado levanta questões sobre o tratamento das queixas de violência doméstica quando os suspeitos pertencem às próprias forças de segurança.

Vítima vive com medo e procura protecção para si e para os filhos

Actualmente, a mulher afirma que dorme num quarto separado com os filhos, por recear que algo lhes aconteça durante a noite ou quando não houver outras pessoas por perto.

A vítima conta que já se reuniu com autoridades locais do bairro para denunciar a violência que afirma sofrer. Segundo o seu relato, durante esses encontros, o marido negou as acusações e declarou que ainda a ama, que pretende continuar a viver com ela e que nunca a ameaçou.

A mulher sustenta, contudo, que, quando as autoridades deixam de estar presentes, o homem volta a proferir ameaças. Durante uma das reuniões, os próprios filhos terão relatado episódios de violência que dizem presenciar em casa.

Sem uma solução que lhe permita abandonar a residência em segurança com as crianças, a vítima continua numa situação que descreve como insustentável.

Afirma estar disposta a sair de casa, desde que sejam criadas condições para levar consigo os dois filhos e garantir-lhes protecção. A mulher procura agora apoio das instituições competentes para pôr fim à situação e assegurar a sua segurança e a das crianças.

Até ao momento, a reportagem apresentada não inclui uma resposta das autoridades policiais às alegações de falta de seguimento das denúncias, nem uma posição do agente acusado sobre as acusações que lhe são imputadas.

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