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Banco de Moçambique prevê aumento do custo de vida nos primeiros meses de 2027

O Banco de Moçambique antevê uma recuperação moderada da economia nacional em 2027 e nos próximos anos, sustentada pelo desempenho dos sect...

Por Redação Em Primeiro • outubro 30, 2026
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Banco de Moçambique prevê aumento do custo de vida nos primeiros meses de 2027
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Economia outubro 30, 2026

Banco de Moçambique prevê aumento do custo de vida nos primeiros meses de 2027

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O Banco de Moçambique antevê uma recuperação moderada da economia nacional em 2027 e nos próximos anos, sustentada pelo desempenho dos sectores da agricultura, indústria extractiva e serviços. Apesar desta perspectiva, a instituição alerta para uma possível subida generalizada dos preços no primeiro trimestre de 2027, com consequências directas no custo de vida da população.

A previsão foi apresentada esta quarta-feira pelo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, durante a abertura do 51.º Conselho Consultivo da instituição, que decorre na província de Tete.

“Relativamente aos preços, antecipamos alguma pressão no curto prazo e uma trajectória de desaceleração no médio prazo”, declarou Navalha.

De acordo com o responsável, a nível interno, as pressões sobre os preços poderão resultar das incertezas em torno da dimensão da inflação importada, da evolução da dívida pública e dos atrasados de pagamento do Estado, bem como dos efeitos dos fenómenos climáticos, com destaque para o El Niño.

No plano internacional, o Governador apontou as incertezas relacionadas com a duração e a dimensão dos impactos das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa. Estes factores poderão afectar os fluxos do comércio internacional, a disponibilidade de bens no mercado global e os preços dos combustíveis e dos produtos alimentares.

Banco Central admite rever a política monetária

O Banco de Moçambique assegura que poderá alterar a actual orientação da política monetária caso se verifique um agravamento dos riscos e das pressões sobre a economia.

Navalha salientou, contudo, que a resposta não deve limitar-se às medidas de política monetária, defendendo também a consolidação das contas públicas, a melhoria do ambiente de negócios e a implementação de reformas estruturais.

“Além das medidas de Política Monetária, continua a ser fundamental a consolidação fiscal, a melhoria do ambiente de negócios e outras reformas estruturais, para sustentar uma rápida recuperação económica e promover a geração de emprego no nosso país”, sublinhou.

Economia cresce abaixo do seu potencial em 2026

No mesmo discurso, o Governador referiu que, em 2026, a economia moçambicana continua a apresentar um crescimento moderado, ainda insuficiente para proporcionar uma melhoria significativa das condições de vida da população.

Depois da contracção de 0,2% registada em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 1,7% no segundo trimestre de 2026, um desempenho que, segundo Navalha, permanece abaixo do potencial económico do país e dos objectivos de combate à pobreza.

O responsável recordou igualmente a evolução da inflação anual, que passou de 4,41%, em Abril, para 7,51%, em Junho, na sequência do ajustamento dos preços dos combustíveis líquidos. Posteriormente, a inflação abrandou para 6,31% em Setembro.

Sistema financeiro mantém-se sólido

No que diz respeito ao sector financeiro, o Governador afirmou que o sistema bancário nacional continua sólido e resiliente.

Em Setembro de 2026, o rácio de solvabilidade dos bancos situou-se em 29,0%, enquanto o indicador de liquidez atingiu 55%. Ambos os indicadores permaneceram acima dos limites mínimos estabelecidos pela regulamentação.

No mesmo período, o crédito malparado manteve-se próximo de 7,0%.

Movimento de divisas aumenta, mas persistem dificuldades de acesso

Relativamente ao mercado cambial, o Banco de Moçambique registou um volume elevado de operações de compra e venda de divisas, associado sobretudo aos projectos de gás natural e às actividades da indústria extractiva, num contexto de estabilidade cambial.

Segundo os dados apresentados por Navalha, até Setembro de 2026, as compras de divisas realizadas pelos bancos comerciais totalizaram 6,50 mil milhões de dólares norte-americanos, mais 859 milhões de dólares em comparação com igual período de 2025.

Por sua vez, as vendas de divisas aos clientes atingiram 6,41 mil milhões de dólares, correspondendo a um aumento de 718 milhões de dólares face ao período homólogo do ano anterior.

Apesar deste volume de operações, o Governador reconheceu que continuam a ser reportadas dificuldades no acesso a moeda estrangeira. Na sua avaliação, esta situação revela fragilidades no funcionamento do mercado cambial e na distribuição da liquidez disponível no sistema financeiro.

Ainda assim, garantiu que o país dispõe de reservas internacionais num nível considerado razoavelmente confortável.

“Não obstante, temos a informar que o país mantém um nível razoavelmente confortável de reservas internacionais, equivalente a cerca de cinco meses de importações de bens e serviços, excluindo os grandes projectos”, afirmou.

O 51.º Conselho Consultivo representa o primeiro encontro desta natureza presidido por Felisberto Navalha desde que assumiu o cargo de Governador do Banco de Moçambique.

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