O antigo ministro da Indústria e Comércio, Ragendra Berta de Sousa, que dirigiu o sector entre 2017 e 2020, está a ser alvo de uma execução judicial movida pelo Banco Nacional de Investimento (BNI), devido a uma dívida em incumprimento contraída para financiar a sua empresa, Topa Internacional, Lda., localizada na Machava, município da Matola, província de Maputo.
Um anúncio da 13.ª Secção Comercial do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, publicado no Jornal Notícias, informa que estão a decorrer éditos de 20 dias naquela instância judicial. O documento cita os credores desconhecidos da executada “Topa Internacional, Lda., Ragendra Berta de Sousa e Seouk-Kyu Chun”, concedendo-lhes um prazo de 10 dias para, querendo, reclamarem os autos da acção executiva para pagamento de quantia certa n.º 08/2026-B, na qual o BNI figura como exequente.
O anúncio não especifica o montante da dívida nem o ano em que o empréstimo foi contraído. Indica apenas que o financiamento se destinava à aquisição de bens móveis, nomeadamente equipamentos utilizados na indústria de embalagens flexíveis, que se encontravam devidamente descritos nos autos de penhora.
Prometeu reabilitar a Companhia de Búzi
Ragendra de Sousa foi ministro da Indústria e Comércio entre 2017 e 2020, durante o primeiro mandato de Filipe Nyusi como Presidente da República. Na sua passagem pelo Governo, o economista tornou-se conhecido por uma declaração feita em Abril de 2018, quando prometeu colocar a própria cabeça na guilhotina caso não conseguisse cumprir o compromisso de reabilitar a Companhia de Búzi, na província de Sofala.
“Ponho a minha cabeça, eu vou conduzir esta negociação e a fábrica vai ser reabilitada. Este commitment tem de haver. Alguém tem de dizer que este problema deve ser resolvido. Não pode morrer no comício. A única diferença aqui é a qualidade da promessa. Penso que os outros também vieram e prometeram”, declarou Ragendra de Sousa na ocasião.
Até hoje, a fábrica da Companhia de Búzi continua abandonada.
Fonte: Carta de Moçambique.