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Sangue nas minas de rubis de Montepuez: dois garimpeiros terão sido mortos a tiro

Continua a jorrar sangue nas zonas de exploração de rubis em Namanhumbir, Montepuez A exploração de rubis em Namanhumbir, no distrito de Mo...

Por Redação Em Primeiro • outubro 27, 2026
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Sangue nas minas de rubis de Montepuez: dois garimpeiros terão sido mortos a tiro
FOTO: REPRODUÇÃO / EM PRIMEIRO
Sociedade outubro 27, 2026

Sangue nas minas de rubis de Montepuez: dois garimpeiros terão sido mortos a tiro

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Continua a jorrar sangue nas zonas de exploração de rubis em Namanhumbir, Montepuez

A exploração de rubis em Namanhumbir, no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado, continua a ser marcada por relatos de violência, invasões de garimpeiros artesanais, confrontos com as forças de segurança e mortes associadas à mineração ilegal. A região, onde a multinacional britânica Gemfields opera a Montepuez Ruby Mining (MRM), é uma das maiores concessões privadas de rubis do mundo.

Na semana passada, novos episódios de violência terão ocorrido nas zonas de exploração, num contexto em que milhões de dólares já foram arrecadados com a comercialização das pedras preciosas extraídas daquele território.

Dois garimpeiros mortos a tiro

Segundo fontes locais citadas pelo Moz24h, nos dias 15 e 16 de Outubro, por volta das 14 horas, dois garimpeiros artesanais foram mortalmente baleados na zona conhecida como machamba da Rubi Maning. As fontes atribuem os disparos a agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que se encontravam no local a prestar serviços de segurança.

Um dos relatos descreve um ambiente de tensão entre os agentes e os garimpeiros, acusando os primeiros de exigirem dinheiro aos trabalhadores artesanais e de recorrerem a ameaças e disparos quando não há entendimento entre as partes.

“Costumam extorquir dinheiro dos garimpeiros e, ultimamente, basta eles verem que aqui não tem como os garimpeiros trabalharem, por onde está sendo lançado ou as câmaras estão viradas, eles tentam te ameaçar”, relatou uma fonte.

A mesma fonte afirmou que os garimpeiros enfrentam dificuldades para recuperar o dinheiro investido nos acordos de trabalho em determinadas áreas. Acrescentou que, em vez de ordenarem a retirada dos trabalhadores de forma pacífica, os agentes recorrem alegadamente às armas para os intimidar.

De acordo com o testemunho, os dois jovens foram baleados na zona de Maclomatina, nas proximidades da mina de Nkolokolotosimba, localizada nos limites da concessão da MRM. Uma das vítimas seria natural da província de Nampula, enquanto a outra seria originária de Cabo Delgado.

As acusações foram apresentadas pelas fontes locais, não tendo sido incluída no relato uma versão da UIR ou da empresa sobre os incidentes.

Mais feridos e detenções de garimpeiros

Os episódios de violência não se terão limitado às duas mortes. Segundo as mesmas fontes, no dia 13 de Outubro, dois garimpeiros sofreram fracturas nas pernas: um na perna direita e outro na esquerda.

Devido aos ferimentos, as vítimas terão sido obrigadas a deslocar-se com dificuldade, apoiadas por outros garimpeiros, até aos respectivos locais de origem.

Já no dia 17 de Outubro, cerca de 12 jovens que trabalhavam como garimpeiros terão sido detidos na cova de Maning Nice e conduzidos directamente às celas.

Uma fonte manifestou indignação perante a continuidade dos acontecimentos, acusando a Rubi Maning de conhecer os intermediários que mantêm contacto com os garimpeiros, incluindo patrões estrangeiros que operam em Montepuez e Namanhumbir.

Segundo o relato, a empresa recebe frequentemente reclamações da comunidade sobre pessoas que estariam a distribuir motorizadas para facilitar o acesso às zonas de garimpo.

Jovem baleado perto do acampamento da MRM

Outro incidente relatado pelas fontes terá ocorrido por volta das 16 horas, numa estrada próxima do acampamento da MRM. Na ocasião, um jovem foi baleado depois de ter sido confundido com um garimpeiro.

O episódio terá acontecido perto da entrada do primeiro acampamento da empresa, numa zona próxima da aldeia. A vítima terá sido atingida por um disparo e sofrido uma fractura no braço.

A fonte considera que a situação tem provocado agitação entre os jovens, que continuam a tentar entrar nas áreas de exploração de rubis, apesar dos riscos associados à actividade.

“Então, cria muita agitação das crianças para entrar naquele sítio, e então as crianças tornam-se seres coxos dos seus 18 anos, onde está ir a vida não conhece como é que vai lhe garantir”, lamentou.

O mesmo interlocutor pediu que seja feita justiça pelos jovens afectados e afirmou que Namanhumbir está actualmente cheia de pessoas com idades entre os 18 e os 20 anos que caminham com muletas, alegadamente em consequência de ferimentos provocados por disparos da UIR.

A fonte voltou a acusar os agentes de extorquirem dinheiro aos garimpeiros e de serem os primeiros a disparar quando surgem conflitos.

Falta de oportunidades para os jovens

Apesar dos riscos, os jovens continuam a procurar as zonas de garimpo como forma de obter rendimentos para a sua subsistência. As fontes questionam se os trabalhadores artesanais devem ser responsabilizados sem que sejam consideradas as dificuldades económicas e a falta de oportunidades de formação e emprego na região.

Uma das críticas apresentadas diz respeito às oportunidades de bolsas de estudo e formação profissional que, segundo os interlocutores, seriam insuficientes desde a chegada da empresa a Namanhumbir.

A fonte questionou por que razão a empresa não cria mais oportunidades para que os jovens possam estudar ou receber formação profissional, incluindo programas realizados na própria região.

“Será que os garimpeiros têm razão ou não têm razão? Porque os garimpeiros estão a tentar conseguir algo de comer ou entrar como se formar, porque a empresa, desde que está aqui em Namanhumbir, lhe custa muito criar uma bolsa de estudo para ir se estudar ou para se formar longe, ou mesmo que seja aqui ser formado em nome da empresa. Só usam capas, por enquanto”, afirmou.

A crítica reflecte a percepção de que muitos jovens recorrem ao garimpo por falta de alternativas económicas, enquanto a exploração dos rubis continua a gerar receitas significativas.

Formação de 60 pessoas gera questionamentos

As fontes também levantaram dúvidas sobre um programa de formação de trabalhadores destinado a operar na mina da Rubi Maning.

Segundo um dos relatos, foi anunciada a formação de 60 pessoas, com a promessa de que, depois de concluírem o processo, a empresa pagaria as respectivas cartas de condução.

No entanto, a fonte questionou o destino dos restantes participantes, afirmando que apenas cinco ou sete pessoas teriam sido admitidas, enquanto mais de 50 teriam ficado de fora.

“Agora formou-se 60 pessoas, que vão operar na mina, nesta machamba da Rubi Maning. Depois de se formar, nós vamos pagar as cartas de condução. Mas aonde? Pessoas que admitiram até agora são cinco pessoas ou sete pessoas; dos 50 e tal estão fora”, relatou.

O interlocutor questionou ainda se os jovens excluídos do programa acabarão por regressar ao garimpo, apesar dos riscos que enfrentam, e levantou suspeitas sobre a utilização dos nomes dos participantes e dos valores orçamentados para a iniciativa.

Presença de estrangeiros nas comunidades

As fontes manifestaram igualmente preocupação com a presença de cidadãos estrangeiros que, segundo afirmaram, passaram a circular pelas comunidades para recolher informações sobre os baleamentos.

De acordo com os relatos, alguns cidadãos sul-africanos terão chegado à empresa para substituir cerca de 12 trabalhadores indianos que ali se encontravam anteriormente, enquanto outros trabalhadores estrangeiros, incluindo indianos e brancos, permaneceram no local.

As fontes disseram que algumas dessas pessoas têm percorrido as comunidades para tentar identificar quem foi baleado, apresentando-se como representantes dos direitos humanos.

Segundo os interlocutores, terão prometido comprar telemóveis para oferecer às pessoas que fornecessem informações sobre os incidentes. Também teriam perguntado se a equipa do Moz24h se encontrava na região.

“Então, ficamos um pouco assim, a pensar que a estrutura não quer falar verdade, mas ainda em Namanhumbir nada é bom”, afirmou uma das fontes, acrescentando que os visitantes procuravam saber quem tinha sido atingido pelos disparos e se a equipa de reportagem estivera no local.

As declarações levantam dúvidas entre os residentes sobre os objectivos da recolha de informações, embora não tenha sido apresentada uma confirmação independente sobre a identidade dos visitantes ou sobre as alegadas ofertas de telemóveis.

Leilão de rubis rendeu 52 milhões de dólares

Enquanto persistem as denúncias de violência e os questionamentos sobre as condições de vida das comunidades, a exploração de rubis na região continua a movimentar valores elevados no mercado internacional.

O último leilão de rubis da Montepuez Ruby Mining (MRM), empresa operada pela Gemfields em Cabo Delgado, decorreu entre os dias 5 e 16 de Outubro de 2026 e gerou receitas totais de 52 milhões de dólares norte-americanos.

De acordo com os valores apresentados pelo Moz24h, a receita equivale a aproximadamente 3.322.800.000 meticais, ou seja, três mil trezentos e vinte e dois milhões e oitocentos mil meticais, com base numa taxa de câmbio de cerca de 63,90 meticais por dólar.

Os valores do leilão contrastam com as dificuldades relatadas pelos jovens da região, que reclamam mais oportunidades de emprego, formação e bolsas de estudo, ao mesmo tempo que persistem denúncias de baleamentos, mortes, ferimentos e detenções nas áreas de garimpo.

Fonte: Moz24h

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