O senador brasileiro Flávio Bolsonaro foi intimado, esta segunda-feira, pela Polícia Federal (PF) a entregar os seus passaportes, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), ficando igualmente proibido de deixar o território brasileiro.
Num vídeo publicado nas redes sociais, o filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro afirmou que foi abordado por agentes da Polícia Federal quando se dirigia à residência do pai, em Brasília, onde este se encontra em prisão domiciliária.
“A Polícia Federal do Lula estava à porta da casa dele e fui intimado, no meio da rua, a entregar os meus passaportes. Também estou proibido de sair do país”, declarou o senador.
A decisão do juiz Alexandre de Moraes surge depois de declarações feitas pelo irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que, durante uma entrevista concedida nos Estados Unidos, na sexta-feira, defendeu que o senador deveria deixar o Brasil caso perdesse as eleições presidenciais.
“Se o meu irmão não ganhar, sou a favor de que saia do país. Com certeza”, afirmou Eduardo Bolsonaro, que também defendeu a contestação dos resultados eleitorais em caso de derrota.
Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal, relacionados com suspeitas de crimes financeiros. O senador nega qualquer irregularidade.
Uma das investigações envolve suspeitas de branqueamento de capitais através de empresas de apostas ligadas ao advogado Willer Tomaz, com quem Flávio Bolsonaro mantém uma relação pessoal.
No âmbito deste caso, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas, bem como referências ao nome do senador numa conta bancária pertencente a uma empresa associada ao advogado.
Na sexta-feira, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens e valores ligados a Willer Tomaz até ao limite de seis mil milhões de reais, montante equivalente a cerca de 997 milhões de euros.
Investigação também envolve financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro
O segundo inquérito está sob a responsabilidade do juiz André Mendonça e procura esclarecer o financiamento do filme Dark Horse, que retrata o percurso político de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal está a investigar a origem dos fundos negociados com Daniel Vorcaro, antigo banqueiro e ex-proprietário do Banco Master.
Flávio Bolsonaro rejeita qualquer envolvimento em irregularidades. O senador assegura que a sua relação com Willer Tomaz é exclusivamente pessoal e sustenta que o financiamento negociado para a produção cinematográfica tinha natureza privada.
Fonte: CNN Portugal.