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Forquilha admite ter mobilizado membros do PODEMOS para manifestações, mas responsabiliza Venâncio Mondlane pela violência

O presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, reconheceu que orientou membros do partido a participarem nas manifestações pós-eleitorais em Mo...

Por Redação Em Primeiro • outubro 23, 2026
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Forquilha admite ter mobilizado membros do PODEMOS para manifestações, mas responsabiliza Venâncio Mondlane pela violência
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Política outubro 23, 2026

Forquilha admite ter mobilizado membros do PODEMOS para manifestações, mas responsabiliza Venâncio Mondlane pela violência

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O presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, reconheceu que orientou membros do partido a participarem nas manifestações pós-eleitorais em Moçambique, mas afirmou que as instruções se destinavam exclusivamente à realização de protestos pacíficos. O dirigente atribui a violência registada durante a contestação dos resultados eleitorais à estratégia adoptada por Venâncio Mondlane, seu antigo aliado político.

Numa entrevista exclusiva ao jornal Evidências, publicada a 20 de Outubro de 2026, Forquilha afirmou que sempre apoiou as manifestações, desde que decorressem pacificamente, e garantiu que, no processo judicial que envolve Mondlane, pretende relatar apenas os acontecimentos que testemunhou.

“Eu sempre disse nas entrevistas que eu apoiava as manifestações, mas sempre disse manifestações pacíficas (…) No tribunal não é para mentir, é para dizer a verdade”, declarou.

Em Novembro de 2024, Forquilha figurava como co-arguido no processo cível movido pelo Estado contra Venâncio Mondlane e o PODEMOS. Agora, surge na qualidade de testemunha no processo-crime contra o antigo aliado, uma mudança de posição processual que levanta questões sobre a responsabilização dos actores políticos envolvidos na contestação eleitoral.

Para além do confronto judicial e político com Mondlane, o presidente do PODEMOS enfrenta conflitos internos e uma disputa com a Solidariedade Cívica de Moçambique (SCM), relacionada com a partilha dos recursos públicos atribuídos ao partido. A crise inclui acusações de que a actual liderança estará a dirigir a organização para além da validade dos mandatos dos seus órgãos, situação que levou à suspensão de actividades da direcção e ao congelamento das contas bancárias do partido.

Forquilha acusa membros e antigos parceiros de pretenderem utilizar os fundos do Orçamento do Estado para fins pessoais, como construir casas, manter viaturas e “lobolar a quarta mulher”, defendendo que os recursos devem servir exclusivamente os objectivos políticos do PODEMOS.

O dirigente reconhece que as disputas com antigos aliados e os conflitos internos têm limitado a capacidade de intervenção política da organização. Ainda assim, rejeita a ideia de que a crise comprometa o futuro eleitoral do partido e garante que o PODEMOS terá uma posição mais privilegiada nas próximas eleições.

Forquilha questiona decisão judicial que suspendeu actividades da direcção

Durante a entrevista conduzida por Ekibal Seda, do Evidências, o presidente do PODEMOS foi questionado sobre a decisão do Tribunal Distrital de KaMavota que determinou a suspensão das actividades da sua direcção, com fundamento na caducidade dos órgãos e mandatos partidários.

Forquilha afirmou que a providência cautelar constituiu uma surpresa, sobretudo por ter sido decidida por um tribunal distrital. Na sua perspectiva, antes de tomar uma decisão dessa natureza, a instância judicial deveria ter procurado perceber se tinham sido esgotados os mecanismos internos para resolver o conflito.

O dirigente considerou que o tribunal poderia ter recomendado uma solução ou encaminhado o processo para uma instituição que entendesse competente, caso concluísse que as tentativas de resolução interna tinham sido realizadas.

Questionado sobre a possibilidade de ter havido uma tentativa deliberada de prejudicar a imagem do partido, Forquilha admitiu, como hipótese, que algumas pessoas possam ter capacidade para influenciar instituições ou que possa existir conivência de determinados titulares com o objectivo de desestabilizar a organização.

Sem identificar pessoas concretas, argumentou que as instituições de justiça são constituídas por pessoas e sublinhou que a decisão foi tomada por um tribunal.

Disputa com a SCM envolve a utilização dos recursos públicos

Forquilha explicou que o conflito com a Solidariedade Cívica de Moçambique tem origem num acordo de cooperação celebrado de boa-fé, em 2023 ou 2024, quando o PODEMOS ainda não conhecia suficientemente a organização nem alguns dos membros que actualmente integram o partido.

Segundo o presidente, o entendimento tinha como objectivo permitir que a SCM apoiasse o projecto político do PODEMOS, estando essa finalidade expressamente prevista no documento. O acordo, acrescentou, não estabelecia que o PODEMOS deveria integrar a SCM, reforçar a sua estrutura ou assegurar a sua capacitação institucional.

As duas organizações tinham igualmente acordado trabalhar em conjunto, recorrendo a espaços e recursos comuns. Contudo, Forquilha sustenta que os fundos posteriormente atribuídos pelo Estado se destinam aos objectivos do partido, e não ao financiamento autónomo de outra organização.

O dirigente afirmou que o PODEMOS não se opõe à partilha de recursos, mas defende que a sua utilização deve respeitar as condições estabelecidas no acordo. Segundo explicou, os membros da SCM que assinaram o entendimento, incluindo o antigo presidente da organização, encontram-se actualmente na Assembleia da República, e o partido considera estar a cumprir os compromissos assumidos.

Na sua interpretação, os recursos públicos não podem ser utilizados para pagar salários de pessoas ligadas à SCM ou financiar a estrutura administrativa de uma organização independente, uma vez que o Estado não atribui fundos ao PODEMOS para sustentar outras entidades.

Questionado sobre as acusações de que o partido estaria a evitar a partilha dos recursos, Forquilha afirmou que o problema não reside na recusa de partilhar, mas na divergência quanto à finalidade do dinheiro.

O presidente considera que alguns membros da SCM pretendem utilizar os valores para desenvolver a própria organização, pagar salários e adquirir bens, objectivos que, na sua perspectiva, não estão previstos no acordo.

“Sim, sinto-me injustiçado, porque parece que já se esqueceram de que o fundo e o acordo têm objectivos definidos”, declarou, acrescentando que os recursos estariam a ser reivindicados para fins pessoais, incluindo construir casas, manter viaturas e “lobolar a quarta mulher”.

Forquilha disse ainda que o recurso ao Conselho Constitucional foi motivado pela necessidade de esclarecer a natureza dos fundos públicos atribuídos ao partido e determinar se existe fundamento legal para os partilhar com outra organização.

Segundo o dirigente, o Orçamento do Estado tem natureza legal e, caso os recursos tenham sido entregues ao PODEMOS, o partido não pode simplesmente transferi-los para uma entidade sem fins lucrativos que não tenha como finalidade gerir esses fundos. Acrescentou que estaria disposto a discutir a questão caso fosse esclarecido que o dinheiro não se destina exclusivamente ao partido.

Presidente reconhece importância da SCM e de Venâncio Mondlane nos resultados eleitorais

Apesar das divergências, Forquilha reconheceu que a SCM e Venâncio Mondlane tiveram um papel importante na mobilização política que contribuiu para a eleição de 43 deputados do PODEMOS.

O presidente admitiu que seria injusto negar a contribuição dos antigos parceiros e afirmou que não considera os membros provenientes da SCM elementos externos ao partido. Sublinhou, porém, que todos os membros do PODEMOS, independentemente da forma como aderiram à organização, devem beneficiar dos seus direitos.

De acordo com Forquilha, quando surgiram as primeiras reivindicações relacionadas com a interpretação do acordo, propôs a elaboração de uma adenda para esclarecer os pontos que não estavam suficientemente definidos. O documento inicial, explicou, não estabelecia percentagens para a distribuição dos recursos, porque as organizações nunca tinham trabalhado com esse modelo.

Segundo o dirigente, a SCM não apresentou uma proposta de adenda, tendo recorrido directamente ao tribunal. Forquilha afirmou também que as duas organizações tiveram oportunidade de avaliar a parceria no ano anterior, mas a intensificação do conflito tornou inviável a realização do encontro.

O presidente acrescentou que muitos membros da SCM continuam ligados ao PODEMOS, incluindo parlamentares, enquanto outros permanecem associados à organização. Alguns que não foram eleitos acabaram por ocupar funções de assessoria ou administrativas, segundo o seu relato.

Sobre a alegada existência de um gabinete de gestão conjunta, que a SCM afirma ter sido acordado, Forquilha negou que essa estrutura esteja prevista no documento assinado pelas partes. Defendeu, por isso, a necessidade de discutir uma adenda que estabeleça os procedimentos a seguir.

Na sua perspectiva, a divergência central consiste em saber se os recursos devem ser utilizados exclusivamente para os objectivos do PODEMOS ou se também podem financiar a estrutura institucional da SCM.

Congelamento das contas bancárias prejudica funcionamento do partido

O presidente do PODEMOS reconheceu que o congelamento das contas bancárias, no contexto do diferendo judicial com a SCM, representa um prejuízo significativo para a organização.

Forquilha explicou que a providência cautelar limita a actuação dos órgãos centrais do partido, nomeadamente o Congresso, o Conselho Central, o Conselho Político, o Conselho Fiscal e o Secretariado-Geral, que, segundo afirmou, estão impedidos de deliberar enquanto a decisão estiver em vigor.

Apesar das restrições, garantiu que os órgãos locais continuam a funcionar, incluindo as estruturas provinciais e distritais.

O dirigente afirmou que o partido está a cumprir a decisão judicial enquanto aguarda uma resposta aos recursos apresentados, embora a considere injusta, ilegal e inconstitucional, por entender que o tribunal que a proferiu não tem competência para o efeito.

Forquilha reconheceu que a situação impede a realização de várias actividades que a direcção pretendia desenvolver e disse aguardar que a justiça esclareça o diferendo.

Questionado sobre a prestação de contas das receitas, despesas, donativos e recursos recebidos desde as eleições de 2024, o presidente afirmou que o partido apresenta regularmente relatórios financeiros e planos de actividades nas sessões do Conselho Central.

Segundo explicou, o PODEMOS, que tem sete anos de existência, prepara-se para realizar a 12.ª sessão daquele órgão. Forquilha afirmou que as sessões têm ocorrido, em média, duas vezes por ano, e que a prestação de contas faz parte dos procedimentos habituais da organização.

O dirigente acrescentou que, na sessão anterior, foram apresentados relatórios financeiros e que o mesmo voltará a acontecer na próxima reunião.

Relativamente à possibilidade de uma auditoria independente, Forquilha afirmou que um processo de fiscalização já estava em curso e provavelmente próximo da conclusão. Disse ainda que, desde que o partido começou a receber recursos do Estado, tem sido submetido às regras de fiscalização pública, referindo o envolvimento da Inspecção-Geral do Estado e do Tribunal Administrativo.

Forquilha nega existência de poupanças com dinheiro do Estado

Durante a entrevista, o presidente do PODEMOS foi confrontado com declarações atribuídas ao antigo secretário-geral do partido, segundo as quais parte dos fundos recebidos do Orçamento do Estado estaria guardada numa conta-poupança.

Forquilha negou que a organização tenha constituído poupanças com esses recursos. Argumentou que o dinheiro atribuído pelo Estado está sujeito a prestação de contas mensal, trimestral e noutros períodos, não sendo destinado à constituição de reservas financeiras.

O dirigente admitiu, contudo, que o partido tem planos para desenvolver projectos economicamente rentáveis. A ideia, segundo explicou, consiste em permitir que cada distrito experimente gerir um projecto dessa natureza, de modo a criar fontes de rendimento para a organização, para além das quotas e de outras contribuições dos membros.

O objectivo seria desenvolver a capacidade do partido para produzir riqueza através de iniciativas próprias.

Forquilha garante que vai dizer a verdade no processo contra Venâncio Mondlane

A entrevista abordou também a participação de Forquilha no processo judicial que envolve o seu antigo aliado, Venâncio Mondlane, no contexto da contestação dos resultados eleitorais.

Questionado sobre se o seu depoimento poderia ser interpretado como uma traição política, o presidente do PODEMOS respondeu que a notificação judicial não apaga a relação de parceria que existiu entre ambos.

Forquilha explicou que Mondlane assinou pessoalmente um acordo político com o PODEMOS e que, na qualidade de presidente, é responsável pela gestão da organização. Por isso, considerou natural que o tribunal o convoque para prestar declarações sobre os acontecimentos relacionados com o processo.

O dirigente garantiu que comparecerá para relatar os factos que testemunhou e esclarecerá igualmente aquilo a que não assistiu.

“No tribunal não é para mentir, é para dizer a verdade. Vou responder sobre as questões que sei que efectivamente aconteceram. Se houver algo a corrigir, temos de o corrigir”, afirmou.

Forquilha disse esperar que todas as pessoas chamadas a intervir no processo, incluindo o próprio tribunal, actuem com o mesmo compromisso com a verdade, para que seja feita justiça.

Questionado sobre se considerava justa a forma como Mondlane conduziu a contestação eleitoral, respondeu que, se concordasse com toda a sua actuação, continuaria ao seu lado.

O presidente afirmou que aconselhou Mondlane em diversas ocasiões, mas que ambos acabaram por seguir caminhos diferentes. Reiterou que sempre apoiou manifestações pacíficas e que nunca concordou com actos de violência.

Acrescentou que existia uma separação entre as orientações dadas aos membros do PODEMOS e as instruções seguidas pelos apoiantes de Mondlane. Segundo explicou, enquanto alguns seguidores escutavam as orientações do antigo aliado, ele continuava a dirigir o partido.

PODEMOS admite ter orientado membros a participar nas manifestações

Albino Forquilha confirmou que o PODEMOS participou na mobilização relacionada com a contestação dos resultados eleitorais, através de intervenções públicas, exigências de mudanças e participação em manifestações.

Segundo relatou, o partido chegou a reunir-se com o comandante-geral da Polícia para defender que a actuação policial respeitasse a justiça. A intenção, afirmou, era lutar até ao fim pelos objectivos políticos, mas sem abandonar o diálogo com as instituições.

O dirigente considerou que seria contraditório apresentar reclamações perante os tribunais e o Conselho Constitucional e, ao mesmo tempo, rejeitar o diálogo institucional.

Questionado sobre vídeos que mostram membros e dirigentes ligados ao partido nas manifestações, Forquilha admitiu que algumas participações resultaram de orientações da direcção.

“Também participavam por nossa orientação. No entanto, como dissemos, as manifestações tinham de ser pacíficas”, declarou.

O presidente acrescentou que alguns membros foram detidos e continuam presos, enquanto outros não, mas insistiu que as orientações dadas pelo partido não incluíam confrontos directos nem actos de destruição.

Forquilha assumiu a responsabilidade política pela mobilização destinada a exigir justiça eleitoral, mas distinguiu essa iniciativa da eventual prática de crimes durante os protestos. Na sua perspectiva, o exercício de um direito não impede que uma pessoa possa cometer uma infracção.

O dirigente, que afirmou ter sido militar, sustentou que uma eventual luta armada exigiria uma estratégia diferente, mas lembrou que o partido tinha optado por um processo democrático. Por isso, rejeitou a possibilidade de abandonar essa via a meio do percurso.

Sobre as alegações de que membros do PODEMOS teriam distribuído dinheiro aos manifestantes, Forquilha negou que o partido tenha financiado essa actividade.

“O PODEMOS nem sequer tinha dinheiro. Onde é que iria arranjá-lo?”, questionou.

O presidente reconheceu que existiam pessoas dentro da organização sobre as quais não tinha controlo directo, embora fossem identificadas publicamente como membros do PODEMOS. Reiterou que dava orientações aos militantes do partido, enquanto Venâncio Mondlane orientava os seus próprios apoiantes.

Forquilha negou ainda que o PODEMOS tenha recebido financiamento de parceiros externos para distribuir dinheiro aos manifestantes.

Forquilha considera que conflitos fortalecerão o partido

Apesar de reconhecer que as disputas internas e os confrontos com antigos aliados prejudicaram a capacidade de intervenção do PODEMOS, Forquilha afirmou que os conflitos também podem contribuir para a preparação da organização e dos seus membros para desafios futuros.

O presidente admitiu que as controvérsias reduziram a capacidade do partido de desenvolver determinadas actividades e desviaram parte da atenção do trabalho político. No entanto, argumentou que os processos de transformação social tendem a provocar reacções e considerou que o PODEMOS enfrenta resistência devido à sua importância e à visão que defende para o futuro do país.

O dirigente mostrou-se confiante quanto ao desempenho eleitoral da organização e afirmou que, nas próximas eleições, o partido poderá ocupar uma posição mais privilegiada e contribuir para uma nova forma de fazer política em Moçambique.

No final da entrevista, rejeitou as previsões de que o PODEMOS poderá desaparecer em 2028 ou 2029, garantindo que a organização pretende ultrapassar os conflitos actuais e continuar a desempenhar um papel relevante na política nacional.

“O que gostaria de dizer, para terminar, é que o PODEMOS é uma força política com a qual se deve contar. Vamos ultrapassar todas estas situações. É verdade que os conflitos estarão sempre presentes; nunca estaremos completamente livres deles. Mas o PODEMOS é um partido do futuro”, declarou.

Forquilha concluiu afirmando que o partido não entrou na política de forma improvisada, mas com objectivos definidos, planeamento e uma estratégia que considera essencial para transformar a sociedade e a governação do país.

Fonte: Evidências | Entrevista de Ekibal Seda, publicada a 20 de Outubro de 2026.

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