Autor considera que o diálogo, a valorização das origens e o respeito mútuo são fundamentais para enfrentar as tensões sociais e os desafios da comunicação na sociedade contemporânea.
Maputo — O escritor Manuel Gamito defende a necessidade de reforçar a escuta, o diálogo e o respeito pela diversidade cultural como caminhos para reduzir as tensões sociais e aproximar os governantes dos governados. A posição foi expressa ontem, em Maputo, durante uma entrevista ao jornal Hora Certa News Moçambique, após o lançamento da sua obra O Tempo de Escuta: Liderança, Comunicação e Cultura em Moçambique.
Segundo o autor, a sociedade contemporânea é marcada por um excesso de ruído na comunicação, situação que, na sua perspectiva, influencia a tomada de decisões e contribui para o aumento da vulnerabilidade social, para a redução do compromisso colectivo e para o distanciamento entre governantes e governados.
“Temos uma sociedade com muito ruído e, às vezes, é sobre esse ruído que tomamos as decisões”, afirmou Manuel Gamito, sublinhando a importância de repensar as formas de comunicação e de recuperar valores associados à tradição e às origens culturais.
Para o escritor, a escuta constitui um instrumento essencial para enfrentar os momentos de turbulência que o mundo atravessa, caracterizados, na sua análise, por conflitos permanentes e tensões sociais. Nesse contexto, considera necessário promover uma maior abertura ao diálogo e investir na educação para a convivência.
Gamito defende igualmente que nenhuma cultura deve ser considerada superior ou inferior a outra, argumentando que as diferentes identidades culturais são complementares e fazem parte de uma única humanidade.
“Não há nenhuma cultura superior à do outro. Elas são complementares. Existe uma única humanidade, e essa humanidade deve ser tratada com dignidade e respeito”, declarou, apontando o respeito mútuo como um dos principais desafios da sociedade actual.
A obra O Tempo de Escuta: Liderança, Comunicação e Cultura em Moçambique propõe, assim, uma reflexão sobre as dinâmicas sociais e culturais do país, com enfoque na comunicação, na liderança e na necessidade de construir relações mais equilibradas entre os diferentes actores da sociedade.
A apresentação da obra esteve a cargo de Melio Tinga, enquanto os comentários foram feitos por Jorge Ferrão e Filipe Couto. O livro foi publicado pela editora Catalogus.